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quarta-feira, 17 de maio de 2017

A DIVERSIDADE MORA NA PAULISTA



Passeios pela Avenida Paulista sempre surpreendem. A diversidade passeia por lá.

Domingo desses, além dos manifestos, das tradicionais bandas que driblam a crise passando seus chapéus e nos entregando sua arte, me deparei com a criatividade simplória e não menos absoluta de Mayara e Rogê.

O casal vendia trufas. Nada de mais, não fosse seu propósito explícito no quadro, na caixa de isopor e em seu bom humor:

Uma coroinha de princesa na cabeça, Mayara empunhava a lousinha de criança, com a intenção do empreendimento escrita em giz e letra de mão:

Seja patrocinador do nosso casamento.
Faltam 201 dias
#compre uma trufa
R$ 3,00

Ele, com uma gravatinha fina e preta, sucinto e direto, carregava o complemento da informação colado no isopor:

PARA PAGAR O CASAMENTO

Passei reparando seus movimentos.
Voltei e lhes propus que compraria uma, em troca de uma foto e de sua autorização para publicação.

Recebi um “claro” e uma pequena tira de papel com seus nomes, para que pudesse marcá-los e acompanhá-los nos preparativos.

Ganhei direitos de patrocinador!

Enquanto pagava e escolhia o sabor, lhes perguntei sobre o retorno de vendas (metida de dedo do "investidor"!)

Satisfatório! Foi a resposta da “equipe”.

Saí parabenizando o negócio, lhes desejando felicidades e pensando em como é saudável contribuir com uma causa que se faz tão nobre aos olhos de seus protagonistas!

Como não sou partidária de casamentos, caminhei rindo francamente, comigo mesma, ao constatar que também patrocinaria outro casal qualquer que ousasse fazer a mesma campanha para custear os honorários advocatícios de seu divórcio.

Pouco importa para onde cada um aponta sua flecha, desde que isso lhe satisfaça, lhe faz feliz, melhor, pleno.

Hoje as flechas de Mayara Viana e Rogê Oliveira apontam para uma vida em comum, que desenham milimetricamente em seus sonhos. E minha curiosidade de investidora de R$3 me deu o falso direito de imaginar o que desses "layouts" se tornará arte final.

Casa ou apartamento? Viagens ou filhos? Gêmeos?!?
Ops!

Apesar de torcer para que eles deem certo, meu patrocínio é da festa e não da vida dos noivos!
Achei prudente voltar meu pensamento pra esse lado mais lúdico e imaginar como será o vestido da noiva, o bolo, os bem-casados, a marcha nupcial, o chororô, as flores, as crianças correndo em volta das mesas, os vestidos maravilhosos contrastados com as legítimas havaianas do final do baile.

Humm! Não sou muito boa nisso... melhor só desejar a Mayara e Rogê uma vida tão deliciosa quanto a trufa que saboreei por conta de seu marketing de guerrilha tupiniquim.

Tão doce, criativo e oportuno, mediante a crise em que nos vemos mergulhados.

Tão paulistano e surpreendente quanto o cenário escolhido para essa ação.




Essa maravilhosa Paulista que nos permite escancarar nossa arte, nossa música, nossos gêneros, nossos manifestos, nossos pets, nossas roupas, sorrisos, escolhas.

Que “quê” de liberdade tem esse passeio público dominical!

Voltando aos nubentes (palavra tirada do fundo das tradicionais proclamas oficiais), sinto-me na obrigação de publicar o que constava na pequena tira de papel que recebi das mãos da noiva.

“Consagre ao senhor tudo o que você faz, e os seus planos serão abençoados”
Provérbio 16:3
Obrigada por fazer parte da nossa história!
Mayara Viana e Rogê Oliveira
22/04/2017

Também não sou entendida de salmos e provérbios, mas procuro ser em gratidões. Sou eu quem lhes agradeço, Mayara e Rogê, pela oportunidade de fazer de sua cena meu devaneio e relato.

Eu lhes provoco a nos contar como foi a festa!
Estamos curiosos para saber das metas atingidas, das conquistas relativas a esse seu sonho!

É o que me cabe como patrocinadora de R$3,00!

E VIVA OS NOIVOS!!



domingo, 14 de agosto de 2016

UM PAI E UMA PAIXÃO


Meu pai me visita, às vezes, em meus sonhos.

Outro dia, me lembrou dos dias em que me levava para escola e tomávamos picolés. Ele de chocolate, eu de limão.

Ele me ensinou muitas coisas. Tanto a fazer, quanto a não. Quem é perfeito?
Dos seus grandes ensinamentos, prezo os mais simples.

Jogar baralho. Comer bem e em lugares inimagináveis. Cinema e pipoca.

Esportes... assistir e torcer! A parte de praticá-los, tive que aprender sozinha, apesar de ter sido um bom jogador e entendedor de futebol.

Aliás, o mais presente de seus legados!
O futebol.

Meu pai me ensinou a entender esse esporte tão masculino, na época.  A amar meu time e a perceber que sangue corintiano é hereditário.

Paixão também.

A sentir o prazer dos estádios lotados e da "Fiel" fazendo as arquibancadas e meu coração tremerem.

Comer amendoim, cachorro quente e suco de laranja de copinho. Delícias do intervalo.

A aguentar a chuva fria escorrendo pelas costas, enquanto o jogo rolava, e voltar pra casa de joelhos no banco do carro, de tão molhada.

Voltar pra casa sem o tão sonhado campeonato de 74.

A suportar as derrotas. E celebrar as vitórias.

Para eternizá-lo, fiz de seu nome o nome de meu único herdeiro.


E esse... nem sequer liga para o nosso tão amado TIMÃO.

Dois Henriques

terça-feira, 9 de agosto de 2016

UMA LOUCA DE 50 E TANTOS... ABISMOS



Incrível mudar de ciclo com novos abismos pela frente!
Se me contassem, lá atrás, não acreditaria numa palavra sequer. Mas, hoje, sou eu mesma me dizendo:
- Olha, publicaram! Sim! E foi você mesma que os escreveu, lembra?
Não é a questão do erotismo que importa, mas a coragem!
Eu, novamente, tentando me explicar:
- E foi você que ousou escancará-los, escancarar-se, apesar de tantos receios e titubeios.
Durante esses cinquenta e tantos anos, sempre vivi perigosamente, mas nada se compara a mostrar o íntimo das palavras. Contar de línguas e suores. Cantar gemidos. Pintar com letras os prazeres.   
É como desenhar desenho imaginário que só ganha forma na mente de quem o lê.
Escrever é contar com outros subjetivos. É jogar pra fora algo que não mais lhe pertencerá.

Assim, me presenteio com o recomeço, com a novidade, com o futuro inexistente.

Com o abismo.  

Meus contos ousados no site Puta Letra, nos links abaixo: 



quinta-feira, 14 de julho de 2016

BEIJOS

Por que desperdiçar beijos no rosto, 
se posso lhe mandar beijos na boca?


Há bocas que merecem beijos.

sábado, 23 de abril de 2016

O Minimalismo dos 83.



A beleza da vida está na simplicidade. Na pureza de alguns sentimentos.
É no coração minimalista da família que conseguimos resgatar essa clarividência...
Foi dessa forma comemorar os 83 anos de uma mãe e avó que fez tudo, dentro de seus limites.
Uma avó que aceita as besteiras de um neto bocudo, as loucuras de uma filha inquieta, o amor do jeito que ele vem, das duas filhas, duas netas e um neto. É o que ela tem.
No aconchego do mar, sendo amparada, pois as pernas já não resistem à força das marolas nem à areia fugindo dos pés... foi assim que ela viveu intensamente seu dia.
Com as ondas ao fundo, conversou com o neto que está num lugar que ela nem imagina como seja.
Soprou velas de chocolate.
Quando o dia se foi e sua família voltou para São Paulo, (acredito!) ela se sentiu bem e, exausta, dormiu em paz.

Para esse dia, para esse momento, há de se ter uma música!
 "O Amanhã Colorido" - Pouca Vogal




terça-feira, 8 de março de 2016

Retomando, se atirando, se jogando... Faz parte de ser Mulher!



Por conta desse dia da Mulher, escrevi algo no meu feed do Facebook que resolvi migrar para esse blog.
Forma de retomar as coisas. Forma de lembrar que ter coragem também faz parte... assim como se cobrar... recomeçar... se fazer presente... não se fazer ausente... e por aí vai!
Lá vou eu, então...


E é com a palavra de um homem, que eu (mulher!?!?) homenageio meu gênero, meu número e meu grau! 
Porque ser mulher é viver tudo em gênero, número e grau!
É ser taxada de louca, sem ser ou estar...
É querer cometer loucuras - e cometê-las!! - sem se importar com o que se diz ou julgam a seu respeito!
É cometer!!! CO-ME-TER!!!
E ter seus cometimentos respeitados!
Porque quem gera, sabe gerar e gerir!
Sabe amar e desamar!
Sabe fazer e desfazer!
Sabe escolher ficar ou ir!
Loucas!
Felizes e loucas!
Mulheres! 

Felizes! 
Algumas delas minhas amigas, para quem dedico esse post: Nana Oliveira, Bianca Ordas, Amanda Nicolosi, Eliana Rebechi, Giulia Amorim, Júlia Francisco, Samantha Moura e Tatiana Polistchuck. 
Mulheres que, como eu, já foram taxadas de loucas, mas que souberam se manter firmes em sua sanidade! 

Ah, claro!! A 'palavra de homem' a que me refiro é a de Marcos Pianger - radialista, apresentador, colunista e autor do livro "O Papai é Pop"- publicada hoje em sua página do Facebook, que tomo a liberdade de reproduzir aqui:


Você não está louca
É isso mesmo que você leu. Você não está louca.
Peço desculpas, de antemão, aos homens que vão ler esta coluna e, certamente, colocando a mão na cabeça dirão: "Meu Deus! O que ele está fazendo?". Acredito, também, que alguns comentaristas na internet dirão que eu vivo em um mundo fora da realidade cotidiana, por dizer o que vou dizer. Mas é verdade. Você não está louca.

Existe algo bastante comum em relacionamentos amorosos modernos, que é a premissa de que as mulheres são seres desequilibrados que desconfiam de tudo e encontram problema nas coisas mais naturais do mundo.

Ele tem agido de forma estranha? Ora, isso deve ser coisas da sua cabeça. Ele tem passado muito tempo no trabalho? Deixe o homem em paz. Ele vive no celular e não dá atenção pra mais nada? Qual o problema com isso? Todo mundo faz isso. Você deve estar ficando maluca.

Vai por mim. Você não está ficando louca. Normalmente, mulheres percebem problemas no relacionamento de forma bastante certeira. Obviamente, os homens não gostam de falar sobre isso. Mas isso não quer dizer que você é uma desequilibrada.

Seriados, filmes, novelas, piadinhas infames. São vários os elementos da cultura pop que reforçam o lunatismo feminino - basicamente, porque são escritos por homens. Se a mulher considera que algo está errado, seja grosseria ou omissão, seja agressão ou desrespeito, é porque algo está errado. Você sabe. Você não está maluca. Sabe como eu sei? Eu sou homem. Já estive do outro lado. Eu já disse: "Você está louca!" e era mentira. Minha mulher não estava louca.

Pelo contrário, ela me ensinou o que é gaslighting (procure no Google, sério!). Existe todo um leque à nossa disposição para lhes tirar a razão: ou estão com tpm, ou grávidas e sensíveis, ou acham que a grama do outro é sempre verde, ou não entendem nossa vontade de apenas ficarmos quietos. E você fica se sentindo uma louca.

Você não está louca. Vai por mim.


Fonte: 

terça-feira, 24 de novembro de 2015

UM CERTO NEMO



Se eu fosse um peixe-palhaço,
Também ia querer
Te prender numa anêmona...
Te livrar das agruras do mar.
Mas, quão egoísta seria!
O mar é lindo, minha cria!
Vá, meu filho,
Vá nadar! 
(Fátima Affonso - 2007)

No processo de se criar um filho, não se tem noção nem certeza de nada, se tem ilusões e vontade de que aquele ser se forme bem, vingue.

Ahaha! Vingar parece um termo que os antigos usavam no sentido de crescer, prosperar. Mas, lá no fundinho das mentes paternas e maternas, ganha mesmo é outra conotação.

“Que meu filho vingue tudo aquilo que quis ser e não fui!”
“Que ele vingue minhas frustrações e desejos!”
Que seja advogado, médico, banqueiro!
Que ele seja mais esperto, mais ágil, mais inteligente, mais rico, mais famoso...

Mais, mais, mais, mais, mais, mais, mais. Infinitamente mais!

Quantas imposições impingimos às nossas pobres crias, que só querem ser o que quisemos ser, outrora: NÓS MESMOS!

Quanta covardia!

Filhos devem ser abandonados como a mãe ursa faz com seus filhotes, no momento em que já lhes mostrou o suficiente sobre sobrevivência.

Porque não nos pertence a escolha de seu destino, nem que se curvem aos nossos anseios.

Cabe a nós morder nossos cotovelos, quando eles nos contam sobre suas decisões e elas nada têm a ver com o que planejamos, secretamente, em nossas mentes.

Cabe-nos, sim, o direito da observação. Observá-los construindo suas casas de palha, madeira, para finalmente atinarem que casas de tijolos resistem aos lobos.

É tão incrível quando se dá conta de que a exclamação-indagação-desespero - Fodeu! O que eu faço agora? - de quando se olhou para aquela criaturinha completamente dependente, recém-chegada da maternidade, passou!

Passou completamente! E isso significa que vocês dois cresceram!
Que ele lhe ensinou tanto ou mais do que você a ele.


Depois desse prólogo todo, posso chegar onde queria chegar com esse texto e fazer a relação com o poeminha escrito em 2007, quando meu sentido de mãe me gritava que era melhor começar logo a exercitar o desapego.

Sua intuição também lhe dizia o mesmo. Desde pequeno repetia: “Mãe, que saco! Não sou daqui! Você vai ver! Vou morar nos Estados Unidos!”

Depois que ele seguiu seu caminho, fui me apercebendo do quanto levou de mim e, ao mesmo tempo, do quanto deixou em mim.

Tive parte no seu amor pelo cinema, pelo teatro, pelas artes. Seu português. Seu jeito carinhoso e amoroso. Sua ansiedade, em alguns aspectos. Sua sensibilidade.

Por outro lado, desde que mora lá tão longe, eu o sinto tão perto.
Tão perto, mas tão perto, que fui me tornando ainda mais parecida com ele.

Fui me encontrando na autenticidade que sempre lhe foi tão característica.

Ele é mal-humorado quando acorda.
Insuportável e engraçado quando bebe.
Mal-educado, quando quer.
Escroto mesmo!

Ele é doce. Meio chorão.
Determinado.
Intenso.
Livre.

Eu, aqui, fiz minha vida melhor, me espelhando no filho que eu mesma criei. 

Minha homenagem ao 'Ri' e seus 25 anos junto com essa louca que é sua mãe. 
Junto, "I got life" da trilha de "Hair", que nos representa bem.