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domingo, 13 de maio de 2018

Da efemeridade e eternidade das Mães






Mães carregam com elas a efemeridade e a eternidade.
São efêmeras em bravezas, mágoas e broncas.
Eternidade em perdões, cafunés e beijos.
Ilhas de nãos, cercadas de sins por todos os lados.
Maravilhosamente imperfeitas
Indignas de generalizações!
Essencialmente únicas.

quinta-feira, 8 de março de 2018

MULHERES em poucas LINHAS


Com conhecimento de causa,
Posso dizer que mulher é desenho livre,
Desenhado com poucos traços.
Mulher é linha solta no papel!
Mulher é preto e é branco.
É preto no branco! 
Ao mesmo tempo, a palheta inteira de cores
As sete cores encantadas que se esvaem quando a chuva seca
Deslumbramento.

Para as Mulheres, em todos os seus dias do ano
8 de março - 2018

Texto e ilustrações - Fátima Affonso


quarta-feira, 17 de maio de 2017

A DIVERSIDADE MORA NA PAULISTA



Passeios pela Avenida Paulista sempre surpreendem. A diversidade passeia por lá.

Domingo desses, além dos manifestos, das tradicionais bandas que driblam a crise passando seus chapéus e nos entregando sua arte, me deparei com a criatividade simplória e não menos absoluta de Mayara e Rogê.

O casal vendia trufas. Nada de mais, não fosse seu propósito explícito no quadro, na caixa de isopor e em seu bom humor:

Uma coroinha de princesa na cabeça, Mayara empunhava a lousinha de criança, com a intenção do empreendimento escrita em giz e letra de mão:

Seja patrocinador do nosso casamento.
Faltam 201 dias
#compre uma trufa
R$ 3,00

Ele, com uma gravatinha fina e preta, sucinto e direto, carregava o complemento da informação colado no isopor:

PARA PAGAR O CASAMENTO

Passei reparando seus movimentos.
Voltei e lhes propus que compraria uma, em troca de uma foto e de sua autorização para publicação.

Recebi um “claro” e uma pequena tira de papel com seus nomes, para que pudesse marcá-los e acompanhá-los nos preparativos.

Ganhei direitos de patrocinador!

Enquanto pagava e escolhia o sabor, lhes perguntei sobre o retorno de vendas (metida de dedo do "investidor"!)

Satisfatório! Foi a resposta da “equipe”.

Saí parabenizando o negócio, lhes desejando felicidades e pensando em como é saudável contribuir com uma causa que se faz tão nobre aos olhos de seus protagonistas!

Como não sou partidária de casamentos, caminhei rindo francamente, comigo mesma, ao constatar que também patrocinaria outro casal qualquer que ousasse fazer a mesma campanha para custear os honorários advocatícios de seu divórcio.

Pouco importa para onde cada um aponta sua flecha, desde que isso lhe satisfaça, lhe faz feliz, melhor, pleno.

Hoje as flechas de Mayara Viana e Rogê Oliveira apontam para uma vida em comum, que desenham milimetricamente em seus sonhos. E minha curiosidade de investidora de R$3 me deu o falso direito de imaginar o que desses "layouts" se tornará arte final.

Casa ou apartamento? Viagens ou filhos? Gêmeos?!?
Ops!

Apesar de torcer para que eles deem certo, meu patrocínio é da festa e não da vida dos noivos!
Achei prudente voltar meu pensamento pra esse lado mais lúdico e imaginar como será o vestido da noiva, o bolo, os bem-casados, a marcha nupcial, o chororô, as flores, as crianças correndo em volta das mesas, os vestidos maravilhosos contrastados com as legítimas havaianas do final do baile.

Humm! Não sou muito boa nisso... melhor só desejar a Mayara e Rogê uma vida tão deliciosa quanto a trufa que saboreei por conta de seu marketing de guerrilha tupiniquim.

Tão doce, criativo e oportuno, mediante a crise em que nos vemos mergulhados.

Tão paulistano e surpreendente quanto o cenário escolhido para essa ação.




Essa maravilhosa Paulista que nos permite escancarar nossa arte, nossa música, nossos gêneros, nossos manifestos, nossos pets, nossas roupas, sorrisos, escolhas.

Que “quê” de liberdade tem esse passeio público dominical!

Voltando aos nubentes (palavra tirada do fundo das tradicionais proclamas oficiais), sinto-me na obrigação de publicar o que constava na pequena tira de papel que recebi das mãos da noiva.

“Consagre ao senhor tudo o que você faz, e os seus planos serão abençoados”
Provérbio 16:3
Obrigada por fazer parte da nossa história!
Mayara Viana e Rogê Oliveira
22/04/2017

Também não sou entendida de salmos e provérbios, mas procuro ser em gratidões. Sou eu quem lhes agradeço, Mayara e Rogê, pela oportunidade de fazer de sua cena meu devaneio e relato.

Eu lhes provoco a nos contar como foi a festa!
Estamos curiosos para saber das metas atingidas, das conquistas relativas a esse seu sonho!

É o que me cabe como patrocinadora de R$3,00!

E VIVA OS NOIVOS!!



domingo, 14 de agosto de 2016

UM PAI E UMA PAIXÃO


Meu pai me visita, às vezes, em meus sonhos.

Outro dia, me lembrou dos dias em que me levava para escola e tomávamos picolés. Ele de chocolate, eu de limão.

Ele me ensinou muitas coisas. Tanto a fazer, quanto a não. Quem é perfeito?
Dos seus grandes ensinamentos, prezo os mais simples.

Jogar baralho. Comer bem e em lugares inimagináveis. Cinema e pipoca.

Esportes... assistir e torcer! A parte de praticá-los, tive que aprender sozinha, apesar de ter sido um bom jogador e entendedor de futebol.

Aliás, o mais presente de seus legados!
O futebol.

Meu pai me ensinou a entender esse esporte tão masculino, na época.  A amar meu time e a perceber que sangue corintiano é hereditário.

Paixão também.

A sentir o prazer dos estádios lotados e da "Fiel" fazendo as arquibancadas e meu coração tremerem.

Comer amendoim, cachorro quente e suco de laranja de copinho. Delícias do intervalo.

A aguentar a chuva fria escorrendo pelas costas, enquanto o jogo rolava, e voltar pra casa de joelhos no banco do carro, de tão molhada.

Voltar pra casa sem o tão sonhado campeonato de 74.

A suportar as derrotas. E celebrar as vitórias.

Para eternizá-lo, fiz de seu nome o nome de meu único herdeiro.


E esse... nem sequer liga para o nosso tão amado TIMÃO.

Dois Henriques

terça-feira, 9 de agosto de 2016

UMA LOUCA DE 50 E TANTOS... ABISMOS



Incrível mudar de ciclo com novos abismos pela frente!
Se me contassem, lá atrás, não acreditaria numa palavra sequer. Mas, hoje, sou eu mesma me dizendo:
- Olha, publicaram! Sim! E foi você mesma que os escreveu, lembra?
Não é a questão do erotismo que importa, mas a coragem!
Eu, novamente, tentando me explicar:
- E foi você que ousou escancará-los, escancarar-se, apesar de tantos receios e titubeios.
Durante esses cinquenta e tantos anos, sempre vivi perigosamente, mas nada se compara a mostrar o íntimo das palavras. Contar de línguas e suores. Cantar gemidos. Pintar com letras os prazeres.   
É como desenhar desenho imaginário que só ganha forma na mente de quem o lê.
Escrever é contar com outros subjetivos. É jogar pra fora algo que não mais lhe pertencerá.

Assim, me presenteio com o recomeço, com a novidade, com o futuro inexistente.

Com o abismo.  

Meus contos ousados no site Puta Letra, nos links abaixo: 



quinta-feira, 14 de julho de 2016

BEIJOS

Por que desperdiçar beijos no rosto, 
se posso lhe mandar beijos na boca?


Há bocas que merecem beijos.

sábado, 23 de abril de 2016

O Minimalismo dos 83.



A beleza da vida está na simplicidade. Na pureza de alguns sentimentos.
É no coração minimalista da família que conseguimos resgatar essa clarividência...
Foi dessa forma comemorar os 83 anos de uma mãe e avó que fez tudo, dentro de seus limites.
Uma avó que aceita as besteiras de um neto bocudo, as loucuras de uma filha inquieta, o amor do jeito que ele vem, das duas filhas, duas netas e um neto. É o que ela tem.
No aconchego do mar, sendo amparada, pois as pernas já não resistem à força das marolas nem à areia fugindo dos pés... foi assim que ela viveu intensamente seu dia.
Com as ondas ao fundo, conversou com o neto que está num lugar que ela nem imagina como seja.
Soprou velas de chocolate.
Quando o dia se foi e sua família voltou para São Paulo, (acredito!) ela se sentiu bem e, exausta, dormiu em paz.

Para esse dia, para esse momento, há de se ter uma música!
 "O Amanhã Colorido" - Pouca Vogal