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terça-feira, 24 de novembro de 2015

UM CERTO NEMO



Se eu fosse um peixe-palhaço,
Também ia querer
Te prender numa anêmona...
Te livrar das agruras do mar.
Mas, quão egoísta seria!
O mar é lindo, minha cria!
Vá, meu filho,
Vá nadar! 
(Fátima Affonso - 2007)

No processo de se criar um filho, não se tem noção nem certeza de nada, se tem ilusões e vontade de que aquele ser se forme bem, vingue.

Ahaha! Vingar parece um termo que os antigos usavam no sentido de crescer, prosperar. Mas, lá no fundinho das mentes paternas e maternas, ganha mesmo é outra conotação.

“Que meu filho vingue tudo aquilo que quis ser e não fui!”
“Que ele vingue minhas frustrações e desejos!”
Que seja advogado, médico, banqueiro!
Que ele seja mais esperto, mais ágil, mais inteligente, mais rico, mais famoso...

Mais, mais, mais, mais, mais, mais, mais. Infinitamente mais!

Quantas imposições impingimos às nossas pobres crias, que só querem ser o que quisemos ser, outrora: NÓS MESMOS!

Quanta covardia!

Filhos devem ser abandonados como a mãe ursa faz com seus filhotes, no momento em que já lhes mostrou o suficiente sobre sobrevivência.

Porque não nos pertence a escolha de seu destino, nem que se curvem aos nossos anseios.

Cabe a nós morder nossos cotovelos, quando eles nos contam sobre suas decisões e elas nada têm a ver com o que planejamos, secretamente, em nossas mentes.

Cabe-nos, sim, o direito da observação. Observá-los construindo suas casas de palha, madeira, para finalmente atinarem que casas de tijolos resistem aos lobos.

É tão incrível quando se dá conta de que a exclamação-indagação-desespero - Fodeu! O que eu faço agora? - de quando se olhou para aquela criaturinha completamente dependente, recém-chegada da maternidade, passou!

Passou completamente! E isso significa que vocês dois cresceram!
Que ele lhe ensinou tanto ou mais do que você a ele.


Depois desse prólogo todo, posso chegar onde queria chegar com esse texto e fazer a relação com o poeminha escrito em 2007, quando meu sentido de mãe me gritava que era melhor começar logo a exercitar o desapego.

Sua intuição também lhe dizia o mesmo. Desde pequeno repetia: “Mãe, que saco! Não sou daqui! Você vai ver! Vou morar nos Estados Unidos!”

Depois que ele seguiu seu caminho, fui me apercebendo do quanto levou de mim e, ao mesmo tempo, do quanto deixou em mim.

Tive parte no seu amor pelo cinema, pelo teatro, pelas artes. Seu português. Seu jeito carinhoso e amoroso. Sua ansiedade, em alguns aspectos. Sua sensibilidade.

Por outro lado, desde que mora lá tão longe, eu o sinto tão perto.
Tão perto, mas tão perto, que fui me tornando ainda mais parecida com ele.

Fui me encontrando na autenticidade que sempre lhe foi tão característica.

Ele é mal-humorado quando acorda.
Insuportável e engraçado quando bebe.
Mal-educado, quando quer.
Escroto mesmo!

Ele é doce. Meio chorão.
Determinado.
Intenso.
Livre.

Eu, aqui, fiz minha vida melhor, me espelhando no filho que eu mesma criei. 

Minha homenagem ao 'Ri' e seus 25 anos junto com essa louca que é sua mãe. 
Junto, "I got life" da trilha de "Hair", que nos representa bem.


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

UM MOMENTO, POR FAVOR!


"...Vou andando nas horas
Atravessando os agoras
Dançando as novas auroras..." 

Novas Auroras (Jorge Du Peixe) 



Momento único
Aquele que desejamos que se repita por infinitas vezes.
Momento presente
O instante em que estou escrevendo isso.
 O instante em você que está lendo isso.
Grande momento
O que pode parecer pequeno aos olhos dos outros, mas que ocupa um espaço enorme dentro de nós.
Momento histórico
Aquele que registraríamos em um livro.
Momento secreto
Certamente o publicaríamos no jornal!
Mas, preferimos mantê-lo trancado a sete chaves.
Melhores momentos
Um resumo com os momentos que merecem ser lembrados.
Momento de reflexão
Quando reunimos vários momentos pra conversar.
Momento de paz
Quando todos os momentos estão dormindo.
Piores momentos
Não me lembro mais!

(Escrito num determinado momento de 2009)

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

MOON



Enquanto o lobo dorme, Lua suspira sob os últimos momentos da escuridão. Ela brilha platônica, solitária, enquanto as estrelas esmaecem.

Seu brilho percorre o campo, as copas das árvores, o alto da montanha de onde seu lobo uiva. Lua lembra a intensidade de sua luz quando envolve o lobo em seu canto melancólico. Azulada e cúmplice.

Então, esse cintilar moribundo recupera forças para espreitar prados, cavernas, invadir vãos escuros, descobrindo por entre as pedras o lugar onde ele repousa.

Lua se recolhe num milésimo de sobressalto ao encontrá-lo em sua forma humana. Retoma seu propósito tocando-lhe os pés, percorrendo o bronze de suas coxas. Quando sua prata escorre por seu peito inerte, Lua sente o movimento calmo de seu respirar. Permanece ali, perene, repousando no sobe e desce desse pulsar.

Como que sentindo seu toque, o lobo se move lentamente. Com isso, Lua consegue vislumbrar seu rosto. Perfeito. Sua boca de lábios grossos. Seus dedos de luz agora estancam sobre essa carne macia, justa.

Perde-se o tempo.

Quando o primeiro raio de sol invade o instante, um flash de Lua ainda consegue vislumbrar as pupilas negras de seu lobo. 
Olhar e brilho se reconhecem.

E Lua morre.
Contra sua vontade.
Suavemente.

Uma história de Lua e Lobo para uma sexta, 13. 
Rabisco: Fátima Affonso




quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Meu blog, minha casa!


Sou assumidamente sem teto! Minha casa é esse avatar em que essa minha alma insiste habitar.
Talvez esse blog possa fazer vezes de casa.
Penso, então, que meu segundo post pode falar da casa que tenho desenhada em mim.
Engraçado. Eu devia morar nela... e é ela que mora em mim!

Para que se sintam acolhidos, melhor visitá-la por aqui.

Minha casa tem cara e essência.
Tem cortinas brancas, daquelas indianas, que tapam o sol com a peneira.
Esvoaçantes, para se saber que o vento está ventando.

Quase nada de coisas.

Música também! E artes! Das minhas e de amigos.
Bilhetes pendurados por suas paredes, paredes que têm fotos, fotos de momentos que devam estar explícitos, que reavivam os instantes mais quietos.

Um pequeno jardim de grama para sentar com meu cão.
Algumas plantinhas autossuficientes, porque não sou entendida delas. Já tentei. Vou precisar de um jardineiro, se quiser algo mais que isso.

Flores! Delas eu gosto. Espalhadas pelos quartos, sala, cozinha, banheiro.
Nos quartos, elas serão brancas, para manter a pureza do sono e para que os sonhos sejam brandos.
Pelo resto da casa, podem colorir de todas as cores, jeitos e tamanhos. Para convidar a gente a sorrir.

Piscina e churrasqueira dão trabalho, mas reúnem. Talvez sim, talvez não.

Na sala, com toda certeza, tem uma tela grande, pois costuma juntar gente e pipoca ao redor. Chocolate e cobertor, também.
Os móveis dessa sala? São daqueles que abrem espaços. Porque tem que ter dança numa casa.
Dança, música, expressão, pessoas.
Não qualquer gente! Aquelas amadas. E amigos daquelas amadas. Pois não devo cercear os amores dos outros. Prefiro abrir minha casa pra eles e ganhar mais lugares ocupados no coração.

Haverá bagunça ao acordar. Sinal de que houve movimento, sensações, discursos, risos, sentimentos e tesão.
Ainda sobre as manhãs, haverá cheiro de café, pães, geleia e mel.
Para recuperar forças, despertar as mentes, recomeçar.

Claro! Tem quarto de filho nela! Sempre de braços abertos, disposto a esperar com cama bem grande e objetos de infância.
Porque filho que é filho vive longe, cria raízes em outras terras, cria seu mundo, mas por alguma horinha, corre pro seio da mãe.
Esse é o quarto que representa melhor a vida! É onde dois ciclos se encontram. O quarto da infância observada. A perpetuação.

Já o de hóspedes tem outra cara: cama fofinha, toalhas cheirosas, almofadas, futons. Destinado aos amigos achados, perdidos, aos casais desamparados de cama, aos viajantes e viajados.
Tudo muito acolhedor, com cara de suíte de pousada, para quem se servir nem sequer pensar que a amiga está no quarto ao lado.

Uma coisa muito importante dessa casa é o altar: um lugar reservado às gratidões e aos momentos de dúvida. Não há imagens nele, somente representações naturais que me situam sobre quem sou e para onde vou.
É nesse lugar, íntimo, que entendo que tudo e nada me pertencem. Que o que irá comigo dessa casa é o que paira em seu ar, é o que recomponho imaginariamente, quando caminho por seus espaços.
E eu sou esse lugar. E esse lugar sou eu.


Para meus amigos Bianca, Giulia, Samuel e Tatiana (também a meu novo amigo Léo). 
Ah! Esse texto já tinha sido escrito antes do último sábado!

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Se jogar faz parte...

Tem horas que a gente tem que se jogar.
Faz pelo menos 4 anos que ensaio, ensaio e... nada de estreia.
Sempre tive vontade de atirar palavras ao vento. E ver que desenhos elas formam.
Hoje tive um pequeno incentivo. Engraçado, de alguém que conheço há bem pouco!
"Se eu fosse você, abriria um já!"
E, mesmo tendo que montar um projeto, aquilo ecoava na minha cabeça.
Se eu fosse você...
Se eu fosse você...
... Já!
... Já!
Pra completar, logo em seguida, minha melhor amiga posta um link do "UpdateOrDie":
"A quem tem uma certa vontade de escrever".
Entendi o recado na primeira frase. "Não pense. Pensar é o inimigo da criatividade. É auto-consciente, e qualquer coisa auto-consciente é ruim..."
Aqui estou eu, em plena madrugada, sem ter ideia de como montar esse tal de blog, escrevendo a primeira história da história do já assumido "meu blog".
Não importa que nem saiba como fazer isso. Como tudo, a gente aprende. A gente arrisca.
Sempre temos 50%.
Melhor que zero. Melhor que dormir ideias e acordar sem elas.
E agora ele me provoca a mantê-lo. Sem forma pré-determinada, para que cada fonte alterada, cada imagem adicionada sejam comemoradas!
E viva os amigos que lhe incitam! E as vontades que não lhe cabem.
Perdoem-me o mal jeito. Mas, essa coisa já passou dos 9 meses...

Bem vindos ao blog "Se jogar faz parte"
Apertem seus cintos! O piloto está tremendo!

Fátima Affonso